
Maior complexidade das terapias, pedidos mais pulverizados e pressão sobre os custos transformam as demandas do setor.
A distribuição de medicamentos no Brasil passa por um processo de transformação. O avanço de medicamentos biológicos, imunobiológicos, terapias gênicas e tratamentos personalizados aumenta as exigências sobre as operações, enquanto pedidos menores e mais frequentes demandam maior eficiência e precisão.
Para Paulo Maia, presidente executivo da ABRADIMEX, a evolução das terapias modificou a dinâmica da distribuição especializada. O portfólio da indústria está cada vez mais direcionado a grupos específicos de pacientes, resultando em pedidos menores, maior frequência de entrega e atendimento a hospitais, clínicas, centros de infusão e serviços especializados.
“O desafio não está apenas no volume distribuído, mas no alto valor agregado, na complexidade clínica e na necessidade de garantir a continuidade do tratamento”, comenta.
Mais exigência na distribuição especializada
Medicamentos de maior complexidade exigem estruturas adequadas de armazenagem, controle de temperatura, rastreabilidade e segurança. Esses cuidados precisam estar presentes desde o centro de distribuição até a entrega ao serviço de saúde.
“As distribuidoras também devem estar preparadas para lidar com roubos e desvios, variações cambiais, prazos aduaneiros, dependência de fornecedores internacionais e necessidade de estoques de segurança”, pontua o executivo da Abradimex.
A pulverização das entregas também aumenta a complexidade operacional e exige investimentos em calibração, validação de processos, embalagens qualificadas, seguros, treinamento e gerenciamento de riscos.
Tecnologia e integração
Nesse cenário, tecnologias como automação, inteligência artificial, Internet das Coisas e monitoramento de temperatura em tempo real ganham espaço na gestão de estoques e na rastreabilidade dos medicamentos.
“O futuro passa por uma cadeia mais conectada, digital, eficiente e colaborativa. O uso estratégico de tecnologia e dados pode ampliar a previsibilidade, reduzir desperdícios, fortalecer a segurança e contribuir para o acesso da população às novas terapias”, reitera.
Para o executivo, quanto mais personalizada a terapia, maior a necessidade de precisão em todas as etapas da distribuição.
“Quanto mais personalizada é a terapia, maior é a necessidade de precisão operacional. O medicamento precisa chegar ao local correto, no momento adequado e nas condições exigidas”, alerta Maia.
Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/distribuicao-farmaceutica-entra-em-nova-fase-no-brasil/