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Combate ao roubo de cargas exige união de forças

Enquanto houver um comprador disposto a adquirir um produto pela metade do preço sem saber a sua procedência, será difícil combater o roubo de medicamentos, um crime que vem crescendo no país. O alerta é de Luís Liveri, secretário-executivo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especiais e Excepcionais (ABRADIMEX).

Segundo ele, a cadeia desses produtos – da indústria farmacêutica às clínicas e hospitais, passando pela distribuição – tem de unir forças para combater a comercialização de medicamentos roubados. “Todos esses elos são regulamentados, precisam de licenças e certificações para atuar, com exceção das plataformas de cotação de preço, que estão livres de controle, não garantindo ao comprador a procedência desses medicamentos”, destaca Liveri, que é CEO do Grupo Elfa.

ABRADIMEX em ação

A ABRADIMEX tem chamado representantes das plataformas para tratar dessa questão e defende uma atuação conjunta de toda a cadeia para evitar a venda de produtos roubados. “A facilidade para repassar esses produtos é um estímulo aos roubos”, destaca o executivo, lembrando que os medicamentos especiais e excepcionais exigem armazenamento e transporte adequado, com temperaturas e condições controladas. “Quando isso não acontece, a qualidade do produto é afetada, prejudicando a sua eficácia. Isso não pode acontecer, estamos lidando com vidas humanas”, ressalta.

Outra forma de atuação da ABRADIMEX é levar a questão para debate nos principais encontros do setor. Em agosto, Liveri participou, como representante da associação, do 1º Fórum Internacional de Segurança na Cadeia Logística Farmacêutica, parte do 3º Pharma Supply Chain & Health Brazil 2017. O tema de sua palestra: “O roubo de carga e seu impacto na qualidade final dos medicamentos”.

Como combater o roubo de cargas

Uma forma de conter esse tipo de crime é garantir a procedência do produto, o que será facilitado com a entrada em vigor da Lei da Rastreabilidade – a RDC 157, da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As empresas têm prazo para se adequar às determinações dessa resolução, que exige investimentos em tecnologia.

“Acredito que em dois anos tudo deve estar funcionando, permitindo que a trajetória do produto seja rastreada por meio de um aplicativo”, informa Igor Spreafico, diretor de operações do Grupo Elfa. Ele aponta outras medidas que contribuem para evitar esses roubos:

O uso da geolocalização pelas transportadoras, ferramenta que permite monitorar a carga até a sua entrega;

Qualificação dos motoristas, para que adotem rotas alternativas e priorizem a entrega das cargas mais valiosas;

Controle dos sistemas de automação comercial, para evitar o vazamento de informações;

A adequada manutenção da frota utilizada na distribuição.

 

Um crime em alta

O roubo de medicamentos vem aumentando desde o final de 2016, como revelam os dados reunidos pela ANVISA, que deve ser notificada de todas as ocorrências desse tipo. A Agência destaca que os produtos roubados representam risco à saúde, uma vez que não há como assegurar as condições de seu transporte e armazenamento.

De 15 registros de roubo de medicamentos anotados em dezembro de 2016, o número saltou para 35 em janeiro de 2017. Em fevereiro, o total de ocorrências foi de 29; em março, de 18; em abril, de 21; em maio, de 9; e em junho, de 15, totalizando 127 registros nesses sete meses.

O maior número de roubos acontece na Região Sudeste, onde se localizam Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais, estados que concentram 76% dessas ocorrências. “É uma questão de segurança para a própria saúde adquirir somente produtos de procedência conhecida”, reforça a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Azul = Região Sudeste
Marrom = Região Sul
Cinza = Região Nordeste
Amarelo = Região Centro-Oeste
Fonte: ANVISA

 

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso