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Beneficiar pacientes do uso medicinal da Cannabis sativa

Cerca de 1,7 milhão de pacientes brasileiros poderiam se beneficiar do uso medicinal da Cannabis sativa. Entre eles, estão pessoas com esclerose múltipla, distúrbios do sono, quadros de dor crônica e alguns tipos de epilepsia. Desde 2015, o uso do canabidiol, substância derivada da cannabis, é permitido para uso em tratamentos e pesquisa científica. Em março de 2016, foi liberada a prescrição de remédios à base de canabidiol e THC no Brasil.

Segundo o CEO da Spectrum Therapeutics, Jaime Ozi, os usos terapêuticos da cannabis vêm sendo estudados para uma série de condições. “Já existem resultados muito consistentes no tratamento de dor crônica, distúrbios de humor e distúrbios do sono, por exemplo. Além disso, a cannabis medicinal tem mostrado muitos benefícios para pacientes com epilepsia, fibromialgia, autismo, Alzheimer, entre outras”, afirma Ozi.

Ele explica que esse grande espectro de atuação é possível, porque nosso próprio organismo, no amplo sistema endocanabinoide, conta com receptores que se conectam a substâncias presentes na cannabis, agindo no controle da dor e proporcionando sensação de bem-estar. Segundo o executivo, há indícios de que os medicamentos à base de cannabis apresentam menos efeitos colaterais do que as medicações utilizadas para tratamento desses problemas. “É muito importante reforçar que estamos falando de medicamentos, e que qualquer decisão relacionada ao uso desses produtos deve ser tomada pelo médico juntamente com cada paciente”, alerta.

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A espera da regulamentação

A Spectrum Therapeutics/Canopy Growth pretende registrar, inicialmente, três produtos no Brasil: YELLOW/amarelo (maior concentração de CBD, menos de 1% de THC); BLUE/AZUL (concentração equilibrada entre CBD e THC); e RED/VERMELHO (maior concentração de THC e menor de CBD). Os três terão duas apresentações: óleo e cápsula gel.

Enquanto aguarda o andamento da regulamentação, a empresa concentra-se em atividades educacionais, a fim de contribuir para o diálogo sobre a cannabis no país, com iniciativas voltadas à comunidade médica, em parceria com renomadas instituições de saúde e educação, parcerias com associações de pacientes e outras atividades com foco em ampliar o conhecimento sobre os usos terapêuticos da cannabis.

Em junho, a Anvisa abriu duas consultas públicas com o objetivo de regulamentar o registro de medicamentos à base de cannabis e o cultivo da planta para fins medicinais no país. As mais de mil contribuições, agora, estão sendo avaliadas e poderão ser consideradas na futura regulamentação.

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Mais pesquisa clínica para doenças raras

Presidente da Casa Hunter, instituição com 4.500 associados, fundada em 2013 para trabalhar em prol de pacientes com doenças raras, Antoine Daher, afirma que, além de regulamentação, é preciso haver mais pesquisa clínica para comprovar o uso adequado e seguro de medicamentos à base de cannabis para pacientes com doenças raras.

Segundo ele, existe sim um grande potencial terapêutico para a cannabis nas doenças raras do grupo de doenças lisossomais, que acometem a área neurológica, mas é preciso aprofundar o conhecimento a respeito, e isso só se consegue com a realização de pesquisa clínica.

Depois de muita polêmica, por causa da ideia de que cannabis pode ser uma panaceia, ele afirma que houve muito esforço para mostrar a necessidade de realizar pesquisa clínica com foco em doenças raras. “De repente, cannabis virou mágica, serve pra tudo, e não é assim. As empresas queriam trazer medicamentos sem pesquisa clínica”.

De acordo com ele, agora, finalmente, o mercado encontra-se em fase de maturidade, com as indústrias entendendo que é preciso entrar pela porta correta, que há um grande mercado. “Mas só a pesquisa clínica pode nos ajudar a separar o joio do trigo. Eu entendo o desespero das famílias, mas os médicos precisam de bula para prescrever medicamentos com segurança”, afirma Daher, que também é presidente da Federação Brasileira de Associações de Doenças Raras, que representa 150 mil associados em todo o Brasil.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso