Em maio deste ano, caminhoneiros de todo o Brasil paralisaram as atividades em resposta aos reajustes frequentes no preço do óleo diesel. A greve durou dez dias, causando desabastecimento de alimentos e escassez de remédios em todo o país, com algumas cidades tendo declarado estado de calamidade pública. Tudo isso foi um reflexo de quanto o sistema de transporte brasileiro é dependente das rodovias. O episódio mostrou que é preciso investir no transporte multimodal; logísticas mais eficientes, com caminhões equipados com motores híbridos; rotas otimizadas que atendam a mais clientes no percurso; e melhoria da alocação de cargas nos caminhões. Riscos e oportunidades A Confederação Nacional do Transporte (CNT) defende que é preciso realizar fortes investimentos em infraestrutura de transporte para que o país possa voltar a crescer de forma rápida e sustentável. Nos cálculos da entidade, para se modernizar e alavancar o desenvolvimento sustentável, o Brasil precisa investir R$ 1,7 trilhão no setor. “O Estado sozinho não conseguirá arcar com todo esse montante. Por isso é necessário garantir a firme e constante participação do capital privado”, alerta Clésio Andrade, Presidente da CNT, acrescentando que o país precisa se tornar atraente para investidores nacionais e estrangeiros, oferecendo segurança jurídica e demostrando claramente quais são os riscos e as oportunidades. Na visão de Andrade, a melhoria da infraestrutura teria impactos positivos para o setor farmacêutico. “A nossa perspectiva é que novos investimentos em infraestrutura ampliem a produtividade e competitividade das empresas, levando ao um crescimento ainda mais pujante da indústria farmacêutica”, estima. A avaliação de Sergio Malucelli, Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), também passa pela infraestrutura. Segundo ele, atualmente existem 47 rodovias federais em estado de conversação entre o “ruim” e o “péssimo”. No entanto, Malucelli observa que o setor de transportes do Brasil necessita se livrar da dependência das estradas. “Embora sejam necessários investimentos nas estradas, não podemos depender de um único modal. É possível explorar os transportes ferroviário, aeroviário e até hidroviário, ainda mais levando em conta que muitos dos nossos rios são economicamente navegáveis”, indica. O Presidente da Fetranspar sugere que o aproveitamento de outros modais seja realizado por meio de parceiras público-privadas ou de investimentos internacionais. “Mas, para isso, é preciso desburocratizar processos. O que nós queremos é menos papel e mais agilidade do poder público”, defende. Papel fundamental Ramon Alcaraz, Especialista em Transporte da Associação Brasileira de Logística (Abralog), acredita que a tecnologia poderá desempenhar um papel fundamental no progresso do setor de transportes. “Os avanços são puxados pela tecnologia e programação inteligente das entregas. Várias transportadoras já contam com soluções inteligentes de controle dos tempos e movimentos, possibilitando uma melhor utilização da frota e reduzindo a necessidade de caminhões em circulação”, aponta ele, concluindo que focar mais em produtividade e menos na busca por fretes mais acessíveis pode colaborar para a melhoria desse cenário. Editora Conteúdo/Abgail Cardoso
Terminal de cargas da GRU Airport recebe certificação CEIV Pharma
Na última sexta-feira (22), o Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos recebeu a certificação Centre of Excellence for Independent Validators (CEIV Pharma) da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). O reconhecimento valoriza os níveis de segurança, eficiência de equipamento e instalações relacionados a itens do setor farmacêutico. “São mais de R$ 45 milhões investidos, desde 2012, quando iniciamos a operação do TECA”, pontua Mônica Lamas, diretora Comercial e de Cargas da concessionária. No primeiro semestre deste ano, 42% de todo volume de importação e exportação foi processado no complexo logístico do Aeroporto Internacional de São Paulo. Deste volume, 45% corresponde a carga farmacêutica, 64% do segmento automotivo e 61% do têxtil. “O transporte aéreo de produtos da indústria farmacêutica precisa trabalhar com métodos logísticos complexos para manter a integridade dessas cargas que são sensíveis ao tempo e variação de temperatura”, explica Dany Oliveira, diretor geral da IATA no Brasil. Gerenciamento eficaz – O executivo comenta ainda que as perdas anuais de produtos sensíveis à temperatura durante o transporte podem chegar a mais de US$12 bilhões devido à quebra dessa cadeia. Em sete anos de contrato, o Terminal de Cargas avançou em diferentes segmentos do transporte aéreo e, atualmente, é o principal do país em tonelagem, seguido de Viracopos (Campinas), Galeão (Rio de Janeiro) e Confins (Belo Horizonte). O programa CEIV Pharma, abrange todos os aspectos do transporte de cargas com controle de temperatura e sensível ao tempo incluindo o gerenciamento eficaz da cadeia fria e mitigação de riscos. “O CEIV Pharma é uma certificação global que padroniza, treina e realiza avaliações para garantir o conhecimento necessário aos profissionais do segmento e que o transporte de produtos farmacêuticos da cadeia fria esteja em conformidade com as melhores práticas mundiais”, afirma Oliveira. Segundo ele, o certificado atesta que os terminais logísticos apresentam qualidade e confiabilidade nos serviços prestados à indústria farmacêutica. Para Mônica, da GRU Airport, a expectativa é que o selo internacional influencie positivamente toda a cadeia da indústria nacional de farmacêuticos. “O transporte de cadeia fria com padrão internacional é essencial para preservar a propriedade da carga de medicamentos de diferentes categorias e, como consequência, influencia os custos logísticos e operacionais de armazenagem e transporte terrestre, que chegam a ser embutidos no valor final repassado ao consumidor”, explica. Atualmente, o Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo atende a Abbott, Bayer, CEVA, DB Schenker, DHL, DSV, Expeditors Panalpina, Janssen, Kuehne +Nagel, Medley e Pfizer. Principais as principais distribuidoras e indústrias de medicamentos do Brasil e do mundo. Editora Conteúdo/Marciel Oliveira
Soluções em automação na indústria farmacêutica
O desejo de criar robôs que facilitem o trabalho humano não é novidade. Cada vez mais presentes nas fábricas e grandes indústrias, eles são um antigo sonho humano, pois elevam a produtividade, melhoram a qualidade dos produtos, aumentam a velocidade da execução das tarefas, eliminam erros e reduzem custos. Em comparação com as máquinas comuns, um dos maiores diferenciais dos robôs consiste no fato de conseguirem executar tarefas pré-programadas de forma autônoma, coletando dados por meio de sensores, analisando o cenário e tomando as decisões mais apropriadas. O primeiro robô industrial surgiu na década de 50. Desde então, a robótica se desenvolveu e chegou aos avançados robôs da atualidade. De acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), o volume de robôs industriais vendidos em todo o mundo atingiu o recorde de 380 mil unidades em 2017, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. O crescimento é puxado pela indústria automotiva, mas há um interesse cada vez maior dos segmentos farmacêutico, químico e de alimentos e bebidas nos autômatos. No setor farmacêutico em especial, a aplicação dos robôs é extensa e variada, podendo ser utilizados no desenvolvimento, produção, comercialização ou distribuição de medicamentos. Gerenciamento da distribuição Empresa líder global em tecnologia médica, a BD oferece soluções de automação para distribuição farmacêutica e tem como um dos seus principais produtos os robôs da linha BD Rowa Technologies. A companhia já instalou seis desses robôs na América Latina – três deles no Brasil. Por conta dos milhares de medicamentos que são transportados para farmácias e hospitais diariamente, o gerenciamento da distribuição é uma tarefa complexa, que exige agilização no controle e aperfeiçoamento na organização. “Para nós, trazer o Rowa para o Brasil é uma importante contribuição para simplificar os processos, reduzir os custos e aumentar a segurança do paciente”, explica Juan Carlos Esquivel, Diretor de Sistemas de Gestão de Medicamentos da BD. Segundo Esquivel, a principal vantagem da robótica para os distribuidores de medicamentos consiste em proporcionar maior eficiência. As soluções da área otimizam os processos, diminuem o número de produtos escolhidos incorretamente e reduzem os custos com pessoal. Com a ajuda dos robôs, os medicamentos são separados de acordo com o pedido e colocados em caixas, dispensando a conferência humana. É possível ainda customizá-los para diferentes tamanhos de centros de distribuição, fluxos de trabalho e volumes de pedidos. Na visão do Diretor de Sistemas de Gestão de Medicamentos da BD, o uso de robôs é uma tendência no setor farmacêutico, impulsionada pela integração de soluções. “O robô é uma solução integrada de automação que proporciona o controle completo do processo de distribuição, garantindo conformidade e tranquilidade”, indica ele, mencionando também que a automação pode gerar maior produção e entregas mais eficientes. “O BD Rowa Technologies permite que as empresas adotem tecnologias do futuro sem apreensão. Isso vai melhorar a eficiência da distribuição e gerar benefícios de economia a longo prazo”, garante. Farmácias e hospitais A BD também oferece soluções para agilizar a gestão de medicamentos em e farmácias e hospitais. Esquivel explica que o robô é desenvolvido com tecnologias que “aprendem” as práticas diárias de distribuição, conseguindo operar de maneira inteligente e segundo a demanda. “As vantagens dessa tecnologia são a velocidade e a precisão. O robô leva apenas 30 segundos para localizar corretamente o medicamento e disponibilizar o produto para o farmacêutico ou atendente”, destaca. Nos hospitais, o Rowa acompanha o caminho percorrido pelo medicamento desde a realização do pedido até a chegada ao paciente. “Nesses locais, a automação evita desperdícios, pois monitora a dosagem e a data de validade das medicações, diminuindo os gastos com a manutenção de estoque”, conclui Esquivel. Além disso, o medicamento é separado de acordo com a dose indicada para cada paciente, evitando risco humano na manipulação e reduzindo a possibilidade de contágio. Como funciona o robô Rowa? O primeiro robô Rowa da América Latina foi instalado em 2015. Com capacidade para processar até 60 mil unidades, ele foi programado para desempenhar as mesmas funções dos armazenadores e separadores de produtos. Quando os medicamentos chegam na distribuidora, eles passam por um sensor de código de barras que cadastra o recebimento do produto no sistema. Para executar esse primeiro passo, existem duas opções: 1) a entrada manual, em que o funcionário escaneia os produtos; e 2) a unidade automática de entrada, em que o próprio robô faz a leitura do código de barras. Feito isso, os produtos são encaminhados por uma esteira para que o robô faça o armazenamento no espaço designado. O Rowa é equipado com câmeras, sensores, leitores de códigos de barras e braços mecânicos, garantindo que os medicamentos sejam estocados de maneira correta e eficiente nas prateleiras. Quando o cliente realiza um pedido, a solicitação é feita pelo funcionário por meio do software. O sistema então envia as informações para o robô, que logo inicia o processo de separação dos produtos com rapidez e precisão. Os medicamentos são depositados em uma esteira e passam por diversos processos de conferência até chegarem ao funcionário que cadastrou o pedido. A maior vantagem do Rowa consiste em possibilitar que todo o processo de separação e armazenamento seja feito de maneira automática, eliminando o risco de erros e dispensando a conferência. Rafael Guedes
Nanotecnologia: remédios que agem no foco das doenças
Normalmente, as pessoas imaginam as células e os vírus como estruturas minúsculas, mas isso depende da perspectiva. Pela ótica da nanotecnologia, esses organismos são gigantescos – e isso proporciona infinitas possibilidades para a ciência e a medicina. Englobando as mais diversas técnicas, materiais e dispositivos que operam em escala nanométrica, a nanotecnologia é um ramo científico que manipula a matéria no nível atômico. O nome pode parecer complicado, mas o conceito é simples. Um nanômetro (nm) equivale a um milímetro (mm) dividido um milhão de vezes. Para efeito de comparação, um único fio de cabelo tem entre 80 e 100 mil nanômetros. Na indústria farmacêutica, a nanotecnologia pode ser utilizada para melhorar a eficácia dos medicamentos e reduzir os efeitos colaterais. De acordo com a professora Carlota de Oliveira Rangel Yagui, Coordenadora do Laboratório de Nanobiotecnologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (Nanobio), a nanotecnologia tem a vantagem de possibilitar ao medicamento agir diretamente nas células doentes. “O material em escala atômica apresenta características diferenciadas em relação ao material na escala macroscópica. Uma delas é que o princípio ativo do medicamento é entregue diretamente nas células afetadas pela doença”, explica ela. Carlota prevê ainda que o mercado da nanomedicina deverá atingir US$ 528 bilhões em 2019, impulsionado pelo crescente desenvolvimento de quimioterápicos. Grandes incertezas Pesquisadora da Nanobio, Camila Areias, porém, ressalta que a nanotecnologia, embora seja muito promissora, ainda está em fase inicial e, por isso, permeada de dúvidas. “O perfil toxicológico dos materiais na nanoescala ainda é alvo de muitos estudos. Por essa razão, há grandes incertezas por parte das agências reguladoras”, afirma ela, observando também que, em 2013, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o Comitê Interno de Nanotecnologia (CIN) para implementar uma política nacional para esse campo e elaborar normas e guias específicos. Apesar disso, ainda não foi criada uma legislação específica para o tema. Não bastasse a demora da principal agência reguladora do país, dados de 2012 indicam que o registro de nanomedicamentos no Brasil ainda é tímido, com apenas sete fármacos aprovados até aquele ano. “Esse panorama indica que o avanço da nanotecnologia nas próximas décadas depende de um esforço combinado entre as indústrias farmacêuticas, a academia e as agências regulatórias”, aponta Camila. Uma nova aposta A indústria farmacêutica Aché inaugurou em 2017 o Nanotechnology Innovation Laboratory Enterprise (NILE), o primeiro laboratório brasileiro privado focado em desenvolvimento de plataforma tecnológica baseada em nanotecnologia. Uma das metas do empreendimento consiste em contribuir para o desenvolvimento da ciência no Brasil e no mundo por meio de uma ampla rede pesquisadores conectada à iniciativa. O Diretor de Desenvolvimento Farmacoquímico e Analítico do Aché, Miller de Freitas, adianta que um dos objetivos iniciais do NILE consiste em aumentar a biodisponibilidade das drogas no organismo. “Com isso, é possível melhorar a absorção das moléculas pelo corpo e reduzir a frequência do uso de medicamentos, alterar via de administração, aumentar a comodidade posológica e, consequentemente, impactar positivamente na aderência ao tratamento”, detalha. Os pesquisadores do NILE também estudam maneiras de modular a forma como um princípio ativo se dissolve no organismo. “A liberação gradual das substâncias pode auxiliar no tratamento e estender o tempo de ação de determinado medicamento, reduzindo o número de ingestões por dia”, elucida Freitas, observando por fim que o laboratório se dedica ainda a encapsular moléculas para aumentar a estabilidade dos produtos em relação a temperatura, umidade e oxidação, garantindo qualidade por mais tempo. Rafael Guedes
Comércio virtual de medicamentos traz vantagens, mas exige cautela
Hospitais, clínicas e operadoras de saúde estão cada vez mais adquirindo medicamentos hospitalares pela internet. O comércio virtual proporciona comodidade e melhores condições de pagamento, mas requer alguns cuidados. Alguns portais, por exemplo, não exigem que os interessados em vender insumos hospitalares comprovem que são distribuidores credenciados pelos laboratórios farmacêuticos. Essa facilidade atrai compradores mal intencionados, que enxergam nos sites uma oportunidade para repassar produtos roubados ou falsificados, principalmente os medicamentos de alto custo, como os especiais e excepcionais. Daniela Conceição Pereira, Diretora de Relacionamento e Regulação da Bionexo, explica que o primeiro passo para que hospitais e clínicas não sejam vítimas de fraude consiste em checar as cartas de credenciamento. “Esse documento é emitido pelo laboratório farmacêutico com a finalidade de sinalizar ao mercado os distribuidores que podem adquirir produtos diretamente. Ele é literalmente uma credencial para compra direta da indústria”, indica ela, mencionando ainda que é importante verificar se o fornecedor tem a habilitação regulatória mínima para vender medicamentos. A compra se torna muito mais segura quando é realizada por meio de portais que exigem dos fornecedores a apresentação da documentação completa ao efetuar o cadastro. Nesse quesito, o marketplace digital da Bionexo representa um importante diferencial em relação aos aspectos regulatórios de compra e venda de medicamentos. “A empresa trabalha para que os compradores e fornecedores estejam em conformidade com as normas regulatórias e as transações ocorram de forma correta e segura”, aponta Daniela. Atenção redobrada A Diretora de Relacionamento e Regulação da Bionexo ressalta que os hospitais e clínicas precisam conhecer as movimentações do mercado e estar atentas aos preços praticados. “É importante ter cautela redobrada diante de ofertas com preço muito abaixo da média do mercado. Nesses casos, a apresentação da carta de credenciamento passa a ser imprescindível”, alerta ela, acrescentando que alguns compradores optam por consultar diretamente o canal de atendimento ao consumidor para fazer uma dupla checagem da documentação. “Há alguns produtos mais críticos, quer seja pelo alto valor ou pela grande demanda, que são visados pelas quadrilhas e exigem uma avaliação mais criteriosa antes da compra.” Feita a aquisição, a conferência física é indispensável para se certificar de que não ocorreu nenhuma irregularidade durante o transporte. Novas possibilidades A compra e venda de medicamentos pela internet é considerada positiva por Alex George, Diretor de Operações e Novos Negócios da Apoio Cotações. Segundo ele, os desafios e obrigações de fornecedores que desejam atuar em portais são praticamente os mesmos da forma tradicional de fazer negócios. “O excelente fornecedor vai continuar tendo uma boa reputação on-line ou não, e vice-versa. O grande fator é a abertura de mercado e possibilidades, o que eu particularmente vejo como positivo. Afinal, onde há concorrência, há oportunidades”, avalia. Os desafios da compra virtual, de acordo com George, também não diferem dos desafios de qualquer negociação no modelo tradicional. “Os perigos são iguais, independente do meio de negociação. Deve-se estar sempre atento à documentação sanitária e fiscal, ao histórico e qualificação de atendimento, e, claro, garantir a rastreabilidade de todo o processo”, conclui.
Pfizer, uma empresa movida a inovação
Até 2018, a única esperança dos pacientes para evitar a progressão dos sintomas da Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), que acomete o sistema nervoso periférico e autônomo, era o transplante de fígado. A PAF é uma doença neurológica hereditária rara e degenerativa que causa uma aglomeração de proteínas anormais nos tecidos do organismo, afetando a sensibilidade da pele e causando dores fortes nos membros inferiores e superiores. O lançamento do Tafamidis, que já está padronizado nos programas do Ministério da Saúde e disponível no Sistema Único de Saúde, trouxe uma nova opção terapêutica, menos invasiva, mais acessível e que melhora a qualidade e pode prolongar a expectativa de vida dos portadores. É exatamente com o propósito de mudar a perspectiva de vida dos pacientes que a Pfizer investe anualmente 15% de seu faturamento global em pesquisa e desenvolvimento, um dos maiores percentuais da indústria farmacêutica. Em 2018, esse valor chegou a US$ 8 bilhões em âmbito mundial. Segundo o diretor comercial da Pfizer Brasil, Vagner Pin, o espírito inovador é o que move a empresa norte-americana com sobrenome alemão, criada em 1849, em Nova York , pelos primos Charles Pfizer e Charles Erhart. “Somos uma empresa de inovação e nosso propósito é trazer avanços que mudem a vida das pessoas. Por isso, investimos tanto em P&D na busca por moléculas mais eficientes para necessidades terapêuticas ainda não atendidas”, afirma Pin. A Pfizer atua prioritariamente em em seis áreas terapêuticas: Medicina Interna, Oncologia, Vacinas, Inflamação & Imunologia, Doenças Raras e Hospitalar. Atualmente, há 100 moléculas em pesquisa, nas diferentes fases. O Brasil participa de cerca de 30 estudos clínicos, envolvendo 16 moléculas e 600 pacientes. Para 2020, estão previstos importantes lançamentos para a área de oncologia, que vão beneficiar milhares de pacientes”, afirma. Inovação no sentido mais amplo Vagner Pin, da Pfizer: “Acreditamos que existem oportunidades de mudar e melhorar a vida dos pacientes” Vagner Pin destaca, porém, que inovação para a Pfizer vai além de investir no desenvolvimento de novos medicamentos. “Acreditamos que existem oportunidades de mudar e melhorar a vida dos pacientes em diversas áreas, envolvendo os principais stakeholders do setor de saúde”, afirma. Nesse sentido, a empresa tem procurado se aproximar e envolver os demais elos do segmento para estimular o diálogo, o debate e interações focadas em uma mudança de atitude e na construção de uma agenda positiva compartilhada. “Acabamos de realizar, por exemplo, um evento para discutir o significado de Valor na Saúde, que contou com a participação dos altos executivos de operadoras, gestores de saúde, hospitais, clínicas de vacina, varejo e distribuidores. Queremos ampliar nosso olhar, enxergar além do nosso negócio e queremos que todo o setor pense assim. Por isso, trabalhamos para estimular uma atuação conjunta em busca de melhor qualidade de vida do paciente a um custo adequado. Nesse caso, a inovação estaria, por exemplo, no compartilhamento e na gestão de informações de forma eficiente ”, explica Pin. Segundo o diretor comercial, a união dos diferentes elos da cadeia de saúde é importante para repensarem juntos os atuais modelos de gestão e de negócios. “Nosso foco é levar cada vez mais saúde para a população, por meio de medicamentos inovadores, mas estamos empenhados também em transformar nosso modelo de ida ao mercado, em construir parcerias e interações para a transformação da cadeia, trazendo novos processos, divulgando informações relevantes que possam salvar vidas e agregar valor para a sociedade”, conclui Vagner Pin. Editora Conteúdo/Abgail Cardoso
O que são medicamentos especiais e excepcionais?
Responsáveis por fazer chegar o produto no prazo necessário e com a qualidade indispensável a qualquer lugar do país, as empresas associadas à ABRADIMEX distribuem 40% dos medicamentos especiais e excepcionais no Brasil. Em 2009, com a publicação da Portaria no 2.981/GM, o Ministério da Saúde renomeou esse conjunto de medicamentos, passando a chamá-los de Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), mas, já popularizada, a nomenclatura anterior prevaleceu no dia a dia do segmento. Atualmente, o CEAF é regulamentado pelas Portarias GM/MS nº 1.554, de 30 de julho de 2013, e nº 1.996, de 11 de setembro de 2013. Mas o que são medicamentos especiais e excepcionais? “Os medicamentos excepcionais são os de uso contínuo para o tratamento de doenças crônicas e raras – encontrados em farmácias específicas e alguns hospitais. Geralmente, são de alto custo. Por isso, a distribuição obedece a regras e critérios específicos do Ministério da Saúde. Já os medicamentos especiais são fármacos fabricados com alta tecnologia e que também apresentam alto custo”, explica Marcelo Reis Perillo, diretor administrativo da Hospfar. Segundo a farmacêutica da Medcomerce, Cyntia Dias, os medicamentos especiais e excepcionais constam de uma lista do Ministério da Saúde e são distribuídos seguindo critérios como diagnóstico, esquemas terapêuticos, monitorização/acompanhamento, entre outros, que fazem parte dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) estabelecidos pela Secretaria de Assistência à Saúde (SAS). Para que sejam fornecidos pelo Ministério da Saúde, o paciente precisa ter um laudo para solicitação de dispensação excepcional preenchido pelo médico solicitante, o Cartão Nacional de Saúde, um relatório médico, um termo de consentimento e exames médicos. Em razão do alto custo e da avançada tecnologia empregada em sua produção, os medicamentos especiais e excepcionais diferem dos fármacos convencionais quanto aos cuidados de conservação e transporte. A manutenção da temperatura constante, conforme orientação para cada item é essencial para a eficácia do tratamento e a segurança do paciente. As principais doenças que demandam esses medicamentos são insuficiência renal crônica, hemofilia, anemia falciforme, câncer, psoríase, artrite reumatoide, doença de Parkinson, endometriose, epilepsia, hepatite autoimune, hepatite viral crônica B, hepatite C, hipotireoidismo congênito, osteoporose, diabetes insípido, esclerose múltipla, esquizofrenia refratária, puberdade precoce e hipertensão arterial pulmonar, além de pacientes transplantados. Cyntia explica que a comercialização desses produtos é feita por meio de processos licitatórios para a venda ao governo e por cotações em portais ou e-mail para hospitais privados e clínicas. Esses fármacos também podem ser adquiridos por empresas como as associadas à ABRADIMEX, que os revende e distribui para hospitais, clínicas, planos de saúde, organizações sociais de saúde (OSS) e secretarias de saúde. Pacientes não têm acesso direto. Em três grupos Os medicamentos que fazem do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica estão divididos em três grupos, com características, responsabilidades e formas de organização distintas. Esses grupos são definidos de acordo com critérios de complexidade do tratamento da doença, garantia da integralidade do tratamento da doença no âmbito da linha de cuidado e manutenção do equilíbrio financeiro entre as esferas de gestão do SUS. Grupo 1 – são financiados e adquiridos pelo Ministério da Saúde ou financiados pelo Ministério da Saúde e adquiridos pelas Secretarias de Estado da Saúde l Maior complexidade da doença a ser tratada ambulatorialmente; l Refratariedade ou intolerância à primeira e/ou à segunda linha de tratamento; l Medicamentos que representam elevado impacto financeiro para o CEAF; l Medicamentos incluídos em ações de desenvolvimento produtivo no complexo industrial da saúde. Grupo 2 – são financiados e adquiridos pelas Secretarias de Estado da Saúde l Menor complexidade da doença a ser tratada ambulatorialmente em relação aos elencados no Grupo 1; l Refratariedade ou intolerância à primeira linha de tratamento. Grupo 3 – estão sob responsabilidade das Secretarias Municipais de Saúde, no âmbito do Componente Básico da Assistência Farmacêutica l Fármacos constantes da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais vigente, considerados como a primeira linha de cuidado para o tratamento das doenças contempladas no CEAF. Editora Conteúdo/Abgail Cardoso
Dados da IQVIA revelam mapa da artrite reumatoide
A artrite reumatoide (AR) é uma doença crônica autoimune caracterizada pela inflamação frequente das articulações. Ela pode provocar deformidades nas juntas e afetar outros tecidos e órgãos. Não há cura, mas pode ser controlada com medicamentos antirreumáticos. A patologia normalmente inicia-se entre 30 e 40 anos, e sua incidência aumenta conforme a idade. A AR está presente em aproximadamente 4,5% das pessoas entre 55 e 75 anos. Segundos dados da IQVIA Brasil, a ocorrência no Brasil é de cerca de 0,46% — em torno de 933 mil pessoas. Nos últimos 12 meses, mais de 160 mil pacientes foram tradados com drogas imunossupressoras, como Etanercepte, Adalimumabe e Abatacepte. E 50% desses pacientes concentram-se nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Demanda pública Segundo Marcelo Meletti, Diretor de Soluções Hospitalares da IQVIA, o Brasil apresenta um dos melhores programas do mundo para auxílio ao paciente quando se trata de acesso a medicamentos. Hoje, as melhores drogas são disponibilizadas de forma gratuita no Sistema Único de (SUS), bastando o aval médico com a constatação clínica. Somente em 2017, o mercado público demandou quase 2 milhões de ampolas, resultando em quase R$ 1,5 bilhão empenhados. A demanda pública representou algo em torno de 90% da demanda total do mercado. A Abradimex desempenha um importante papel na comercialização desses medicamentos, representando 38% do volume movimentado. Rafael Guedes
Seminário de Rastreabilidade de Medicamentos.
Na próxima terça-feira (28), a R&B Rastreabilidade Brasil estará na ABRADIMEX realizando um Seminário de Rastreabilidade de Medicamentos aos seus associados com intuito de transmitir experiências, cases de sucesso e expectativas dos próximos passos para implementação do SNCM (Sistema Nacional de Controle de Medicamentos). Com a presença do CEO da R&B, Amilcar Lopes, e seu diretor, Thiago Oliveira, iremos falar também sobre desafios e aprendizados decorrentes da etapa piloto da RDC 157/2017. O evento tem início às 10h na sede da ABRADIMEX, localizada na Rua Verbo Divino, 2001 | Torre B – Sala 607 (Chácara Santo Antônio – São Paulo/SP).
O que muda com aprovação de medicamentos à base de Cannabis?
Os medicamentos à base de cannabis estarão disponíveis em farmácias e drogarias sem manipulação. Entretanto, o cultivo, mesmo para fins medicinais, continua proibido. No início do mês a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o regulamento para fabricação, importação e comercialização de produtos medicinais derivados da Cannabis. Os fármacos a base da erva estarão disponíveis em farmácias e drogarias sem manipulação. Entretanto, o cultivo, mesmo para fins medicinais, continua proibido. Desse modo, sendo necessário importar insumos para fabricação nacional. Dentro da planta, existem vários canabinoides. Os mais estudados são o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CDB). O primeiro tem efeito psicoativo e o segundo é usado em terapias como analgésico ou relaxante. O uso das duas substâncias pode ser feita em conjunto ou somente com canabidiol. Os pacientes que mais se beneficiarão pela decisão são aqueles com epilepsia de difícil controle, espasticidade após lesões medulares, espasticidade secundária à esclerose múltipla e alguns casos de dores neuropáticas. A médica e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Dra. Sonia Brucki, comenta: “Acho que a resolução é bem-vinda e possibilitará o uso para pacientes que necessitam um tratamento adicional ao preconizado atualmente”. A especialista acredita que a aprovação facilitará o acesso à medição. Antes, com a necessidade de importação e altos preços, o uso desses medicamentos era limitado. A partir de agora, a análise da resposta a tais produtos poderá ser feita de maneira mais abrangente. Medicamentos à base de Cannabis A busca pelos fármacos a base da Cannabis cresceu nos últimos anos e a discussão estava em pauta na Câmara dos Deputados. A Dra. Sonia afirma que a resistência para a aprovação de decisão se deu, possivelmente, por “preconceito e desconhecimento”. “O uso terapêutico é diferente do uso recreativo do THC e o que se pedia era apenas a liberação para fins medicinais”, pontua. Contudo, a neurologista também traz à luz que não há estudos para o uso dessas medicações para todas as doenças neurológicas ou em diferentes doses ou em associação a outros fármacos utilizados habitualmente. “No caso da Doença de Alzheimer, por exemplo, não há evidências suficientes que permitam receitar esses medicamentos”, explica. Por isso, a prescrição para produtos com concentração de THC superior a 0,2% só poderá ser feita a pacientes que tenham esgotado todas as demais alternativas de tratamento e com uso de recita amarela. De forma geral, a pesquisa acerca dos canabinoides ainda é incipiente ao redor do globo. Sendo assim, daqui a três anos, a resolução será reavaliada sob o prisma de novos avanços e descobertas. Até lá, a fiscalização sobre a homogeneidade das quantidades de medicação ativa nos produtos será realizada pela própria Anvisa. “Esperamos que a comunidade científica se beneficie e realize estudos bem desenhados aqui no Brasil, o que poderia ser facilitado se houvesse o cultivo, controlado e adequado, nacionalmente”. Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/o-que-muda-com-aprovacao-de-medicamentos-a-base-de-cannabis/














